
Mesmo morando neste paraíso de paz, onde quase nada acontece, teria muito o que escrever tanto por pequenas ocorrências curiosas, quanto por devaneios propiciados justamente pelas horas silenciosas, ou não, de longas conversas comigo mesma.
Das observações da natureza, confesso que nem todas me agradam. Tenho uma severa implicância com uma pomba rola que fica estática, pousada no telhado da casa do vizinho dos fundos, e me observa com olhos fitados quando estou na cozinha. Isto me perturba, tenho reservas com aves, talvez seja influência Hitchcockiana, o filme "Os Pássaros" marcou minha adolescência, ou talvez por vê-las como agourentas. Enfim, minha vontade era de dar um belo fundaço no traseiro desta pomba que me fita e enche de coco as lajotas do pátio. Felizmente ainda tenho um resquício de sanidade para não colocar a termo meu desejo.
Tenho assistido aos noticiários, não com a mesma urgência que nos tempos em que vivia sob as garras da esquizofrenia urbana. Hoje fiquei perturbada com o caos desencadeado pelas chuvas no Rio de Janeiro. Não é de hoje que a tragédia se repete. Acredito que isto vem dos tempos imperiais. Maldita hora que Dom João resolveu fazer do Rio o seu lar. Depois veio a libertação dos escravos, que foram jogados à própria sorte sem assistência e organização. A ocupação clandestina de áreas inapropriadas vem de anos e para alterar algo e tornar mais digna e segura a existência das pessoas no Rio de Janeiro, vai demandar não só tempo e dinheiro, mas principalmente boa vontade e trabalho. E não vai faltar gente para usar a tragédia na campanha para manter os royalties do petróleo distribuídos da forma como estão, mandando o Ibsen fechar a matraca. Enquanto a política se sobrepuser aos interesses sociais, nada mudará, nada terá solução.
E aqui no meu Rio Grande do Sul amado, entro com energia infantil na campanha "Fica Victor". O Grêmio tem, em sua história, a tradição de ter em seu plantel goleiros de alta categoria. Mazaropi, Danrlei e agora Victor, no meu entender, foram os melhores. Não sei até que ponto uma campanha virtual possa alterar alguma negociação futura com o nosso goleiro. Na dúvida, porém, estou embarcando de mala e cuia, tanto no twitter como no blog, deixo claro o meu mais profundo desejo de que VICTOR faça muita história no meu tricolor.
Ainda de ressaca da Páscoa, vou aproveitar a tarde de sol preguiçoso e vento frio, para comer chocolate e bebericar um vinho chileno, rebas do feriado.
Regina Ramão












