
Sei que é algo sintomático iniciar um texto com a expressão "quando eu era criança", mesmo assim...
Quando eu era criança, uma das nossas atividades, muito mais dos meninos que das meninas, era colecionar figurinhas em álbuns. Lembro que, enquanto os meninos colecionavam especialmente figurinhas de futebol ou de carros de corrida, as meninas se derretiam com as famosas figurinhas do "amar é...".
Na semana passada, junto com o jornal, veio o álbum de figurinhas da Copa 2010. Automaticamente me remeti à infância. Entendo, hoje, que aquele passatempo era positivo, especialmente quando as figurinhas eram educativas, quando o álbum era sobre história, geografia ou ciências. Sempre se aproveita alguma coisa.
Lembro que, em determinada época, os tais álbuns foram proibidos. Havia uma máfia que os publicava e divulgava que, em sendo certa página, ou o álbum inteiro completado, a pessoa ganhava um prêmio. O que, obviamente, jamais acontecia, pois sempre faltava uma figurinha para completar.
Senti na pele o quanto era complicada esta brincadeira, quando minhas filhas começaram a colecionar figurinhas. Não lembro ao certo se era o álbum da Barbie ou Xuxa. O que recordo é que não havia dinheiro que chegasse para sustentar o vício.
O roubo das figurinhas do álbum da Panini, da Copa 2010, ocorrido em São Paulo, confirma minha tese de que realmente este negócio é bem lucrativo.
Só não consigo compreender uma coisa: Como é que, nos dias atuais, ainda tem jovens e adultos que colecionam figurinhas? É tanto acesso gratuito a tudo. Informação, fotos, etc, está tudo na internet. Qual a graça de colecionar os tais cromos?
Agora, pensando bem, se lançarem álbuns com fotos de cenas de filmes antigos, ou de novelas do passado, ou das mais lindas paisagens naturais do planeta, acho que me torno fã. Nunca digo desta água não beberei.
Regina Ramão













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