Não sei se é a descendência indígena ou quem sabe por ser um tanto romântica, o fato é que tenho fascínio pela água. Talvez seja este o principal motivo de ter resolvido fixar residência no litoral.
Caminhar à beira mar assistindo o valsar das ondas me hipnotiza, sou automaticamente remetida a um estado zen.
Cascatas em meio às matas é outro prazer para os meus sentidos.
Água de todas as formas, no rio, na piscina, no chuveiro, no mar, até em uma chuva de verão após uma semana de sol tórrido, puro deleite.
Infelizmente, o excesso é que tem predominado aqui pelo sul. Foram dois ciclones consecutivos que despejaram águas em volume intenso. As ruas viraram rios, o mar, de ressaca, chegou ao calçadão da praia. Não sei o que era pior, a intensidade da água ou o barulho da chuva no telhado de casa, como se fosse uma orquestra bizarra sem hora para acabar, cujo único objetivo era enlouquecer a assistência.
Não tive medo, aliás, faz tempo que ando anestesiada em relação à vários sentimentos e emoções. O que sentia era impotência. O desejo maior era de possuir algum dom divino que pudesse secar as torneiras celestiais e silenciar o tamborilar inconveniente.
Por sorte, desta vez, a energia elétrica não faltou e pude, assim, ocupar o tempo navegando na internet, assistindo aos filmes antigos na TV e colocando em dia minhas leituras. Mas, por precaução, comprei uma lanterna potente para garantir a iluminação, caso a CEEE não consiga manter o mesmo desempenho nos próximos dilúvios. Afinal, suporto inundação e barulho, mas não aguentaria ficar nas trevas, sou má algumas vezes, admito, mas ainda não estou pronta para enfrentar o inferno.
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