Não lembro ao certo quando fui apresentada às obras do autor português José Saramago. Penso que foi lá pelos anos oitenta, quando arriscava um curso de Letras.Li poucos livros, os que mais me impressionaram foi "A Caverna" e "Ensaio Sobre a Cegueira". Sua maneira de escrever me emocionava, pois conseguia ter leveza combinada com profundidade mesmo em momentos de extremo terror pelos quais passavam seus personagens.
Saramago marcou minha vida, não só pelos seus escritos, mas de forma real. Poderia, em razão do episódio, ter criado total aversão ao escritor, mas a culpa do acontecido não foi dele.
Não lembro ao certo se foi 2000 ou 2001, houve um concurso para juiz de Direito em Santa Catarina. Participei do referido. Santa Catarina tem, a meu ver, um protecionismo com seus cidadãos, pois seja qual for o concurso eles testam não só os conhecimentos específicos referentes ao objeto, mas também algo como conhecimentos gerais e, até mesmo, conhecimentos sobre o estado de Santa Catarina.
Havia me preparado bastante. Consegui ir bem em todas as provas, inclusive nas de conhecimentos sobre o estado, mas derrapei na de conhecimentos gerais, fui reprovada por uma questão. Sabia a resposta sobre de quem havia sido o Nobel de Literatura de 1998. José Saramago era a resposta. Não sei por que marquei outro escritor como sendo a alternativa correta. Na hora pensei ser o famoso "pega ratão", pois era uma resposta tão óbvia para uma questão de concurso. Achei que tivessem trocado o ano do Nobel, como não sou boa para gravar datas, fiquei na dúvida. Resultado, reprovei no concurso.
Confesso que fiquei bastante revoltada quando soube do resultado. Mas nunca consegui ficar com raiva do Saramago em razão disso. Afinal a culpa era exclusivamente minha de ser tão desconfiada e achar que a questão fosse uma pegadinha.
Sou tão sua fã que formei uma comunidade no Sonico intitulada "Fãs de Saramago", onde coloco notícias, vídeos, fotos do escritor.
Hoje, vai ser o dia mais doloroso, pois preciso entrar na comunidade para publicar a notícia da sua passagem. Porém, como ele mesmo dizia: "Fisicamente, habitamos um espaço, mas, sentimentalmente, somos habitados por uma memória." Ele pode não mais estar aqui fisicamente, mas estará sempre presente em nossa memória.
Ah, e antes que alguém tente me recordar, sei bem o quanto Saramago era ateu e o quanto sofreu preconceito por conta disso, mas este é só mais um detalhe que fortalece minha admiração por ele.
Regina Ramão













2 comentários:
Também não me lembro de ter sido apresentado. Talvez porque não tivesse sido importante. Mas é fato que foi impossível ignorar "O Evangelho Segundo Jesus Cristo". Como minha memória de 43 anos já não ajuda com tantas lembranças, reli a obra que estava até esquecida ali num canto. Para resumir : Foi o melhor acontecimento da minha semana (na verdade do mês)hehe.
Gostei muito do texto. Sou grande fã de Saramago também. Tenho, e li, quase todos os livros dele. Em meu blog, se você olhar aqui: http://falaparticular.blogspot.com/search?updated-max=2009-01-08T16:36:00-08:00&max-results=4 encontrará o vídeo com a sabatina realizada pela folha. Não escrevi nada no dia da morte dele, e talvez não escreva.Agora, todos os meus textos, terão de certa forma, um pouco das idéias dele. Veja esse texto: http://falaparticular.blogspot.com/2010/07/tenho-pensado-que-felicidade-e-um-mal.html
Abraço e foi um prazer em conhecê-la.
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