Sempre tive consciência de minhas limitações, tanto no plano físico quanto no mental. Não pratico atividades físicas com regularidade, para ser sincera, sou praticamente uma completa sedentária e, como tal, costumava ser afeiçoada às atividades que não me fizessem suar, entre elas a saudável leitura e a escrita, por mais singela (ou simplória, como diria um velho amigo) que fosse esta última.Como a velocidade das informações está quase superando a barreira do som e, em contrapartida, a superficialidade impera, subjuguei-me aos ditames da modernidade mergulhando de cabeça no bate-pronto da hora chamado Twitter. Viciei-me no desafio de tentar passar algo lúcido e com conteúdo em tão somente cento e quarenta caracteres. Escrever "cento e quarenta" caracteres e não "140"... me parece algo jurássico.
No início, este desafio foi salutar para alguém prolixa como eu, fui obrigada a encarar a objetividade, deixando de lado pormenores, detalhes irrelevantes, as famosas abóbrinhas que incomodam sobremaneira os apressados, não necessariamente aqueles que comem cru, mas sim aos que gostam de um filé mal-passado, do tipo se morder muge.
Agora, porém, sinto o quanto tenho dificuldades para me expressar abordando minúcias que, bem ou mal, fazem a diferença ou dão o tempero, tanto em um artigo quanto em uma conversa com alguém com mais de dois neurônios.
Este imbróglio preliminar talvez não passe de réles justificativa para minha ausência aqui no blog, para isso também posso citar a quebra do meu notebook, a preguiça explícita, mas ainda acredito que a maior razão é o meu emburrecimento. Lógico que o Twitter não é o único culpado, a idade também está pregando peças, minha memória recente começou a piscar igual a luz do lustre aqui da sala de casa, só espero que não queime como a lâmpada, pois diferente desta, aquela eu não encontro à venda na ferragem da esquina.
Andei lendo uma pesquisa ou estudo, destes que andam aos borbotões pela rede, incrível como existe pesquisa ou estudo para tudo hoje em dia, desde a melhor comida para o seu bichano, até qual o melhor lado para dormir em dia de chuva. Voltando ao saco, deixando a mala de lado, a pesquisa dizia que, pasmem, fazer palavras-cruzadas, jogar xadrez e até ler, se for demais não faz assim tão bem para a saúde mental de um idoso como vinha se preconizando. Na verdade, diz que estas atividades fazem bem, mas que, em excesso, quando a senilidade chegar, vem de forma mais arrasadora. Fico pirada com estas elucubrações, só espero não ficar velha, no sentido de velha como sinônimo de não ter saúde. De que adianta a longevidade se ficar presa a um cérebro do tamanho de uma castanha de caju?
Quanto às limitações físicas, não me preocupo tanto, já estou me acostumando com a artrite que apronta das suas nos dias frios aqui do sul, me entortando e me dando passos de tartaruga, até acho interessante ser obrigada a fazer o câmbio de terceira para segunda e até primeira, dependendo da situação. Lógico que não quero ficar presa a uma casca de noz, como o Stephen Hawking, mas sei que não vou conseguir dar os meus pulinhos a vida inteira.
Dito isto, vou me esforçar para manter o blog atualizado, para a tristeza de muitos e alegria de poucos, a cascata de abóbrinhas da Re vai continuar dando os ares da graça por aqui, se não ajuda, ao menos não prejudica, e assim fico obrigada a me expressar em mais de cento e quarenta caracteres, mesmo que para muitos isto pareça uma profunda encheção de linguiça.













1 comentários:
Ufa, ainda bem, ja nao era sem tempo. Eu nao consigo me expressar pelo twitter rsrs Uso para mandar as pessoas para o blog, se bem que tenho diminuido o tamanho dos meus textos jurassicos.
Bjx
RF
Postar um comentário