O inverno foi deveras deprimente este ano. O frio não foi dos mais intensos, em compensação os dias cinza predominaram e esta cor está longe de ser animadora. Sinto que, aqui no litoral, o meu humor acompanha o clima, talvez porque o clima também seja mais intenso. Se chove, chove muito, se faz sol, é abrasador, se o tempo fica nublado, tudo é tingido de cinza, quando desce a ventania, o sibilar do vento não é só assustador, ele ensurdece, enlouquece. Dominar o humor nestas situações constantes é tão fácil e simples quanto controlar as forças da natuza.
Por sorte, inicia-se hoje a primavera, estação das flores, dos perfumes, dos amores. As previsões, otimistas ao meu ver, dão conta que a estação será mais seca em razão do fenômeno La Niña. Mesmo sabendo que as plantas precisam de água, realmente desejo que a primavera não seja tão chuvosa como foi em 2009, para o bem dos meus neurônios preciso de luz e de sol.
Hoje fui docemente lembrada da estação das flores, mesmo com a chuva descendo aqui em Capão da Canoa, por uma amiga do Twitter, que enviou o link de um site que, ao clicarmos, vai surgindo flores na tela (http://is.gd/fphnt). Busquei no YouTube a música do Tim Maia, "Primavera" , que amo desde que era guriazinha. E, para completar o momento florido e fofo, liguei a TV bem na hora em que passava, no Telecine Cult, a cena antológica do clássico "Butch Cassidy and the Sundance Kid", quando Paul Newmann anda de bicicleta com Katharine Ross ao som de Rain Drops Keep Falling on My Head, de Burt Bacharach. Lembranças, buscas, coincidências, nossas vidas são cheias delas, o problema reside quando insistimos em esquecer que por trás das nuvens cinza há um sol brilhando.
Isto aqui está ficando com cara de texto de auto-ajuda (puxa, não sei mais onde vai e onde não vai hífen, maldita reforma ortográfica), mas é compreensível, estamos na primavera, quando o sol brilha e as babaquices são perdoadas. Não tenho mais o viço da juventude, nem a ebulição dos hormônios da adolescência, para curtir os amores da estação, mas ainda me comovo com os jardins floridos e o brilho do sol, faz parte do meu ser. Mas para não deixar a alienação total tomar conta, um mosquito imenso pousou na minha mão, lembrando-me que voltaram junto com a primavera e que deixar as janelas abertas ao cair a noite não é um opção inteligente.
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1 comentários:
Ah, prima Vera... ah primavera...
Doce primavera :-)
bjx
RF
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